domingo 19 julho , 2026 | 04:23

18 julho, 2026

Abaixo o estado de exceção!

Destruamos o “Pacto de traição da COB”!

Abaixo Rodrigo Paz!

Depois de mais de 50 dias de bloqueios, nos quais colocou em xeque o governo de Paz e sua política de entrega ao imperialismo, a COB entregou a luta ao acordar com o governo pontos gerais. O aspecto mais antioperário da negociação é que ela foi realizada enquanto havia dezenas de dirigentes operários presos, o que permitiu que se aplicasse o estado de exceção que habilitou o exército a liberar os bloqueios. Em alguns deles deram-se confrontos por várias horas.

A COB havia firmado um “Pacto de não traição” com as outras organizações camponesas e indígenas, que estabelecia que a luta iria até a derrubada de Rodrigo Paz. A COB teve de assinar esse pacto, já que vinha de várias traições em lutas anteriores, razão pela qual sua representação estava bastante desprestigiada. Embora a direção da COB apoiasse os bloqueios, na prática não garantiu a greve geral por tempo indeterminado votada nos ampliados, impedindo que a unidade do movimento operário organizado se desse nesse processo; embora muitos trabalhadores participassem dos bloqueios, faziam-no de forma individual.

Evo Morales também chamou o levantamento dos bloqueios, pelo qual o governo ganhou uma relativa e tensa calma para tentar retomar o controle, consciente de que a crise mais estrutural da economia boliviana não está nem perto de uma solução. A burguesia boliviana quer avançar mais no plano repressivo e pede a prisão dos dirigentes da COB, de Evo e dos dirigentes de outras organizações.

Obviamente a luta não está derrotada. Embora conjunturalmente o governo tenha conseguido desativar os bloqueios, fez isso sobre a liquidação de mediações que são estruturais em um bonapartismo sui generis como é a burocracia sindical da COB. O que esses mais de 50 dias de luta radicalizada mostraram é quais forças existem para enfrentar este governo e derrotá-lo; viram-se experiências de organização que garantiram os bloqueios e, ao mesmo tempo, o abastecimento dos que lutavam, o que em curto prazo criou destacamentos de ativistas e líderes regionais que terão de dar o próximo passo para converterem-se em direção, recuperar a COB e unificar as organizações operárias para a luta e expulsar aqueles que negociaram com Paz.

Este será o desafio de elevar a classe trabalhadora como caudilho das massas exploradas e oprimidas, e preparar as milícias e os destacamentos que derrotarão as forças repressivas do Estado, como já fez ao longo de sua história insurrecional.

Abre-se um processo de reorganização que prepara as condições para se seguir enfrentando o governo e o imperialismo.

Devemos seguir com as ações de solidariedade com o povo boliviano e cubano, na necessidade de expulsar o imperialismo da região e seu escudo das Américas.

Pelo triunfo da luta na Bolívia!

Abaixo o estado de exceção!

Abaixo Rodrigo Paz!

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