Povos do Tapajós impõem derrota ao governo Lula e freiam avanço imperialista na Amazônia

Terça, 24 Fevereiro 2026 21:41

Em uma conjuntura de avanço brutal do imperialismo sobre as periferias do capitalismo e seus vastos recursos naturais, 14 povos indígenas da região do Tapajós, na Amazônia brasileira, impuseram uma derrota contundente ao governo federal e ao imperialismo. O Decreto nº 12.600/2025, do governo Lula, previa a entrega de milhares de quilômetros de trechos navegáveis dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins à iniciativa privada. Essa medida daria início a um processo de dragagem do leito desses três rios — entre os maiores do Brasil e do mundo — para possibilitar a passagem, durante o ano todo, de navios de carga carregados de grãos vindos do Centro-Oeste para exportação. A revogação do decreto foi consequência de um processo de luta organizado, coletivo e independente, que envolveu as 14 comunidades e surge como um sopro de vitalidade para a luta de classes e para nossos métodos históricos de ação, cada vez mais relegados a segundo plano pelas direções políticas e sindicais.

 

Foram 33 dias de mobilizações e ocupações, com foco na tomada do terminal portuário e do escritório da Cargill, multinacional estadunidense sediada em Santarém, provavelmente a principal empresa do ramo no mundo. Nem a promessa de negociação feita pelos ministros Boulos e Guajajara (PSOL) e nem a suspensão temporária do decreto proposta pelo governo federal no início do mês, fizeram com que os indígenas recuassem. O objetivo era a derrubada do decreto e a não entrega dos rios aos interesses de qualquer burguesia, especialmente a imperialista. Esse objetivo foi alcançado. Não foram notas de repúdio, abaixo-assinados ou ações na justiça burguesa que assustaram o governo petista; foram o enfrentamento direto, as ocupações e mobilizações — que vinham desde a realização da COP em Belém — que impuseram o recuo ao governo, pois atingiram e paralisaram o centro da circulação de capital da indústria do agronegócio.

 

Aí reside a importância dessa vitória: além da conquista concreta (a revogação do decreto), há a recuperação e a legitimação dos métodos de luta com independência de classe, sem ilusões eleitorais ou judiciárias, como resposta às investidas das burguesias nacionais e do imperialismo. É uma lição que deve ser proclamada aos quatro cantos junto às bases de nossas estruturas sindicais, tornando-se um pesadelo para os burocratas encastelados em seus aparatos sindicais e parlamentares.

 

 

  • Viva a luta independente dos povos do Tapajós!
  • Fora imperialismo da Amazônia e de toda a América Latina!
  • Pela recuperação dos métodos históricos de luta dos trabalhadores!

 

 

Más en LOI-Brasil