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A era da decomposição continua...

24 janeiro, 2025

Em 20 de janeiro de 2025, Donald Trump assumiu seu segundo mandato, cercado pelo establishment financeiro e político de maior concentração do mundo e por representantes políticos internacionais. O discurso que proferiu no Capitólio levantou a ideia de recuperar a liderança perdida nos últimos anos e, com base numa política econômica agressiva e no poder militar, coloca como objetivo recuperar a influência perdida, especialmente frente à China, em diferentes regiões para tentar impor uma nova rota de fuga – em sua decadência – para a situação mundial.

 

O imperialismo ianque sempre se caracterizou por exportar as suas crises, mas agora todas as contradições da situação mundial atingem suas fronteiras adentro. Isto torna cada política imperialista proposta historicamente frágil, devido à própria perda da hegemonia mundial.

 

Os processos históricos têm demonstrado, desde o início da fase imperialista, que nenhuma política pode ser imposta de forma pacífica, razão pela qual a linha bélica levada a cabo pelo governo que se encerrou de Biden continuará com Trump, com outros objetivos. A nova administração tem como foco a retomada da guerra comercial com a China e busca reverter a desindustrialização no território norteamericano. Trump apostará na revitalização da indústria petrolífera para baratear a energia no mercado interno e desenvolver uma concorrência agressiva com a indústria petrolífera do Oriente Médio, procurando alinhar centralmente a Arábia Saudita. É por isso que propõe acabar com os conflitos na Faixa de Gaza e Cisjordânia e na Ucrânia, revivendo os “Acordos de Abraão”, disciplinando o Líbano e a Síria, isolando o Irã, para se concentrar no confronto com a China e no fortalecimento da economia interna.

 

O discurso proferido teve um tom protecionista e nacionalista reacionário, invocando um suposto “senso comum”, que implica a supremacia branca das eras douradas do século XX. A linha protecionista já gerou desvalorizações em alguns países semicoloniais, como o Brasil, e não podemos descartar que, no futuro, mais crises da dívida serão provocadas em vários países. Ele também esboçou uma política migratória que, inicialmente, propunha expulsar, antes da vitória eleitoral, 10 milhões de imigrantes, mas que agora seria de apenas 1 milhão, refletindo a composição da classe trabalhadora norteamericana, que tem um forte elemento imigrante; além disso, também propõe disciplinar fortemente a um proletariado que se vem organizando em alguns ramos. É uma linha de divisão acentuada em relação à classe trabalhadora, para unir uma base social para a sua orientação. Não podemos subestimar as declarações de Trump, mas também não podemos tomá-las como uma linha coerente de um imperialismo senil, uma vez que o discurso apelou a uma certa nostalgia do que nunca foi e de que nunca será. Recuperar a Groenlândia, recuperar o controle do Canal do Panamá, anexar províncias do Canadá e do México são objetivos que, se seriamente tentados, provocariam conflitos, aprofundando as crises dos regimes bonapartistas e, possivelmente, abrindo fenômenos anti-imperialistas. Esta linha de expansionismo imperialista aumenta a pressão sobre o imperialismo europeu, aprofundando a sua crise interna; confrontos que, mais acirrados, empurrariam para uma terceira guerra mundial, para a qual, por enquanto, não conta com uma base social.

 

Este segundo mandato de Trump baseia-se no fracasso do governo Biden e tentará buscar uma unidade imperialista, para a qual conta com a burocracia sindical como seu principal aliado - fato recentemente evidenciado pela burocracia portuária que suspendeu as medidas de luta para que os fornecimentos militares pudessem navegar em nome da “segurança nacional”, com a cumplicidade do Partido Democrata, em uma crise fenomenal. Contudo, da palavra à ação há quilômetros de diferença. A política do discurso inaugural nega uma situação internacional totalmente instável, de crise econômica desde 2008 sem solução e com processos de luta de classes e guerras de difícil resolução.

 

Neste cenário, o proletariado norteamericano tem uma tarefa histórica de enfrentar o governo imperialista de Trump, frear a política migratória reacionária, romper com o PD e os seus satélites como o DSA, expulsar a burocracia pró-imperialista, desenvolver o incipiente processo de sindicalização de muitos setores novos, com independência de classe. A derrota da burocracia sindical permitirá à classe trabalhadora internacional avançar na sua unidade com a resistência palestina, com os trabalhadores da Rússia e da Ucrânia para que lutem contra a assimilação capitalista dos ex-Estados Operários e com o proletariado dos países oprimidos pela imperialismo ianque. 

 

Pela derrota do imperialismo! Pela reconstrução da IV Internacional, partido mundial da revolução!

 

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